África ainda não é alvo das exportações brasileiras, segundo especialista da Thomson Reuters

São Paulo Esta semana, a Thomson Reuters e a AfroChamber (Câmara de Comércio Afro-Brasileira) reuniram especialistas em Comércio Exterior para discutir as vantagens e oportunidades de se fazer negócios com a África frente a outros mercados. Entre as principais conclusões do encontro está o fato de que, apesar de estar em plena ascensão econômica, a África ainda não é alvo das exportações brasileiras.

“O aumento do consumo pela classe média emergente, aliado a uma média de 8% de crescimento anual do PIB do continente, poderá adicionar 1,1 biliões de dólares ao PIB africano até 2019. Estima-se para a economia africana um crescimento de 7,7% ao ano entre 2014 e 2019, cerca do dobro da taxa de economias avançadas”, explica o especialista em Tratados de Livre Comércio da Área de Negócios de Comércio Exterior da Thomson Reuters, Marcos Piacitelli.

O Brasil é um país que tem forte influência da cultura africana e detém a produção dos principais produtos consumidos pela sua população. Porém, mesmo estando em ascensão econômica, a África ainda não é alvo das exportações brasileiras. Temos uma participação inexpressiva no comércio exterior para esse continente, representando apenas 1,85% das exportações para aquela região”, completa.

Segundo Marcos Piacitelli, a principal barreira é imagem distorcida que o brasileiro tem da região. “Por anos, a imagem que chegava para nós dos países africanos era de que se tratava de um lugar de pobreza e assistencialismo”, explica.

“No entanto, os países que formam o continente passaram por uma transformação que começou há pelo menos 30 anos e hoje se tornaram potências econômicas sólidas, que contemplam a formação de uma classe média com elevado nível de consumo e que contam com uma juventude empreendedora”, analisa.

O especialista explica também que alguns países como Tunísia, Quênia e Nigéria, por exemplo, têm apresentado crescimentos exponenciais. “A Tunísia tem hoje uma economia moderna e uma jovem população altamente educada, que busca cada vez mais mudanças para elevar a economia daquele país. Já o Quênia se tornou o centro econômico do leste africano, assim como a Nigéria que hoje tem o maior PIB do continente”, explica.

Outro falso mito que existe sobre a África é de que se trata de uma região com elevados índices de corrupção. “A Botswana é considerada pela Transparência Internacional[1][organização não governamental que tem como principal objetivo a luta contra a corrupção] como um dos países com os menores índices de corrupção do planeta”, finaliza.

Os produtos que lideram as importações no continente africano são os de bens de consumo, seguido por bens de capital, combustível, máquina e eletrônica, além de bens intermediários. Isso só reforça o fato de que as empresas estão perdendo a oportunidade de abastecer um mercado promissor.

“Há uma forte demanda para setores de vestuário, alimentos, construção civil e oportunidade de investimentos em segmentos como infraestrutura e saúde na África. O Brasil tem absolutas condições de ser protagonista no continente africano, assim como já acontece com a Europa, a China e os EUA”, declara Rui Mucaje, Presidente da Câmara de Comércio Afro-brasileira (Afrochamber).

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Em abril deste ano, o Brasil promulgou o acordo com a SACU (União Aduaneira da África Austral) com o objetivo de estimular as exportações para o continente. Esse acordo prevê a concessão mútua de preferências tarifárias e estabelece o aumento de demanda de importação e exportação entre os mercados. A iniciativa é mais um incentivo para que as empresas brasileiras passem a atuar naquela região com mais competitividade.

“O crescimento médio do PIB das seis maiores economias da África entre 2014 e 2017 varia de 7,12% (Ruanda) a 9,70% (Etiópia) e a importância relativa da África no fornecimento de crescimento global tende a aumentar com a desaceleração no crescimento da China, Rússia e Brasil”, ressalta Marcos Piacitelli, especialista em Tratados de Livre Comércio na Área de Negócios de Comércio Exterior da Thomson Reuters.

“Portanto, apesar de ainda enfrentar desafios com baixos níveis de produto per capita interno bruto, desigualdade de renda e instabilidade política em alguns países, o continente africano demonstra um grande potencial de aumento do consumo e, sem dúvida, é uma região que oferece muitas oportunidades ao setor de comércio exterior”, conclui o especialista.

Thomson Reuters

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